Chegou a hora: Eis o momento de finalmente largar a solidão e familiarizar-me com a caneta, há tanto tempo esquecida. Basta saber se valerá a pena... Para ouvir enquanto lêem...
~~~~Solidão Tripartida~~~~
Prólogo
Prólogo
O vento agreste corria por entre as montanhas de gelados cumes trazendo consigo neves muito próprias daquele lugar. “Ele” abrigara-se numa depressão abrigada do temporal, apenas com um cantil, um traje desmaiado e uma pele de urso que usara para fazer um leito improvisado. Não sabia as horas, não sabia quantos infortúnios mais teria de enfrentar até se encontrar com ela. Não conseguia prever a sua reacção, não sabia qual “delas” ela seria. Mas não importava. Tudo o que sabia é que estava disposto a amá-la, não importava quais fossem as condições. E para isso teria de continuar o seu trilho por entre as montanhas, usando o seu pouco desenvolvido poder com o objectivo de a ajudar a encontrar-se a si mesma. Bastava ter paciência.
Solidão Tripartida
Cap.I
“Ela”, originária da Terra dos Verdes Prados encontrava-se agora em muito distinto local. Sabia onde, mas não sabia como nem porquê. Limitara-se a confiar nos seus instintos e a seguir o Vento. Precisava de um local para pensar, longe de tudo e de todos, onde pudesse ter a máxima concentração para equilibrar e harmonizar os seus pensamentos. Um pouco de terra e de mar… Sim o ideal. Então sentou-se e procurou olhar para o céu, seguindo as nuvens em pensamento.
A sua história estava longe de ser algo trágico, diferente, fantástico ou heróico. Simplesmente era demasiado diferente para os outros notarem a diferença. Há níveis e níveis. Se fores demasiado diferente e conseguires alhear-te ao facto os outros não notarão que és diferente.
O problema… é que até o alheamento traz consequências…
E era por esse motivo que ali se encontrava.
De facto ela detinha algo raro mas perigoso que ninguém mais possuía…
De repente ouviu uns latidos; foi o suficiente para perder a concentração e a corrente de pensamento. Ter de tomar conta do cão do seu noivo era demasiado aborrecido…
Rezava a tradição que antes de uma rapariga das Terras dos Verdes Prados se casar, teria obrigatoriamente de tomar conta do animal de estimação do Noivo durante um mês.
Na verdade não se queria casar. Era um casamento por conveniência que o seu irmão lhe arranjara e nenhuma das “Três” concordava. Teria de arranjar uma forma de cancelar aquela união sem magoar ninguém, principalmente ela própria. Já bastavam os poucos pedaços que conseguira guardar do seu “Eu Fragmentado”.
Solidão Tripartida
Cap.II
De repente, ao observar a forma como o cão se comportava, de uma liberdade e desenvoltura extremas (até para um cão…) seguiu o próximo passo que o instinto lhe ditava. Se era preciso fugir e se não queria magoar ninguém fugiria por um dos pontos de passagem entre os Mundos, um daqueles conhecidos apenas por alunos do Mestre Kalen, especialista em magia de fogo. Contudo, levaria o cão consigo. Já estava demasiado só para se poder dar ao luxo de desprezar um pobre canino sem culpa nenhuma.
E para que mundo iria?
Pelos conhecimentos da época, apenas eram conhecidos três mundos: O Mundo da Vida, O Mundo do Poder e o Mundo das Circuntâncias.
“Eu conheço todos eles… Não haverá problemas e arranjarei forma de por uns tempos este mundo não ter notícias minhas.”
Por sorte ou por ironia do destino, o ponto de passagem Kalen ficava a pouco tempo dali.
Percorreu então o caminho, preparando-se metal e fisicamente para os ambientes que iria encontrar. Não encontrou ninguém pelo arenoso caminho, nem o cão tentou fugir. Também ele parecia querer escapar dos preceitos ambiciosos do seu dono.
Chegados ao local, um simples arvoredo próximo ao mar, ela ajoelhou-se acariciando a Terra, sentindo o cheiro a maresia e a pinho. Então pegou numa pequena flauta esculpida a madeira de pinho, e tocou determinada nota fazendo a frequência do ambiente alinhar-se com a frequência inversa do mesmo, tocada pela flauta. Fechou os olhos, concentrou todo o seu poder e repentinamente mudou a frequência para a do conhecido Mundo das Circunstâncias.
Solidão Tripartida
Cap.III
Quando ela abriu os olhos, encontrava-se no meio de uma rua muito movimentada, repleta das mais variadas lojas.
“Sempre o mesmo…”
Viajar daquela maneira, trazia sempre algumas desvantagens. Uma delas era nunca ter a mínima ideia do ponto do mundo onde era deixada. Observou cautelosamente a rua, não viessem guardas no seu encalço e reconheceu o estranho monumento de ouro que se erguia na praça ao fundo da rua: O Rei da Polpa de Maçã…
…E então alguém lhe tocou amigavelmente no ombro: ela deu um pulo assustada e cambaleou; e sem qualquer apoio bateu no chão de calçada de xisto frio e sentiu o mundo a escurecer.
Quando acordou, encontrou-se num colchão altamente confortável, circular e no meio de um jardim deserto. Apenas uma pessoa se encontrava ali perto.
Vigoroso, musculado e com a insígnia das Circunstâncias gravada no pescoço, foi com facilidade que reconheceu um dos seus velhos companheiros das Aulas.
- Yume, serás mesmo tu? – Perguntou-lhe de costas viradas.
Atordoada, ela retorquiu:
- Savillian…Nunca imaginei encontrar-te aqui…
Então, finalmente o rapaz virou-se e Yume pode finalmente ver-lhe a cara. Encontrava-se coberta por pequenos pêlos e com várias borbulhas a nascer…Mas os olhos de um dourado forte continuavam tão vivos como sempre, como o tempo em que ambos tinham partilhado a mesma vida.
Savillian sentou-se no colchão, entusiasmado.
-Mas Yume, porque estás aqui? Que idade tens agora? Quando te conheci tinhas apenas 15 anos…
Por sua vez Yume sentou-se, pegou na flauta, deu um toque no colchão e este transformou-se num banco de jardim, muito mais apropriado para o local.
- Sim. Há quatro anos que não te vejo. E fugi porque descobri toda a verdade sobre o meu mundo e sobre a minha família. Querem casar-me com um tipo que não conheço de lado nenhum e que apenas quer consumir o meu poder. Então fugi para este mundo, usando a Melodia Régia.
-Descobriste a verdade?Como?
Suspirando, contou-lhe os seus longos e penosos tempos depois daquelas boas aulas.
“Depois de dominar os meus dons, fui mandada de volta para casa. Foi então que descobri que o meu irmão assenhorou-se de tudo quanto era meu por direito, já que sou a filha legítima. Os meus pais desapareceram e o meu irmão forjou uma aliança para que o Poder dos Klaus e dos Cordwell seja unido para futuramente dominar todos os três mundos.
E agora fugi. Não desejo uma ditadura para o meu mundo e não desejo ser a causadora da destruição e contenção destas três naturezas.
Bem, já sabes a minha história. Não há muito mais para contar.
Entretanto, agora conta-me: O que estás tu a fazer tão longe da tua terra natal?"
Solidão Tripartida
Cap.IV
“Eu”?
Bem, acabei as aulas com o Mestre e vim em busca de trabalho. Sabes que a minha família é pobre, e eu sou o único estudado e capaz de usar magia. Por isso um tipo contratou-me para vigiar uma passagem entre os mundos, como tantos outros o fazem. E aqui estou.”
Savillian convidou-a a pernoitar em sua casa. A noite adivinhava-se turbulenta, caso os guardas viessem em busca de Yume.
Pararam diante de uma grande casa, ladeada de jardins com árvores muito bem escolhidas. A casa era em tons de castanho e assemelhava-se à de um pastor, não fosse pelo seu tamanho em exageradas proporções.
Yume ficou boquiaberta, olhando para tudo aquilo. A última vez que ali viera a casa estava mais para palheiro e três tijolos.
Entraram num grande salão decorado a madeira pau rosa e candelabros de cristal.
“Pobre…” “Pobre, Como é possível que se ache pobre, depois de tudo isto?”
Yume arrepiou-se e reconheceu a familiar sensação de respeito. Ao cimo da enorme escadaria de madeira, encontrava-se um homem alto, pensativo e de traços muito bem definidos. Cabelo preto, entrançado, roupa muito formal excepto pelo cinto que trazia, feito de um ramo de cerejeira…
-Sensei!
O Homem sobressaltou-se, saindo da sua letargia.Olhando fixamente para Yume, não queria acreditar naquilo que via.
Momentos a sós, suspense, ninguém falou. Yume recordou-se da primeira lição que lhes havia dado, e do quando se interessara pelo assunto.
“Desde as mais profundas e tradicionais raízes daquele mundo que todas as nobres famílias eram treinadas para adquirir poder de forma a manterem o controlo total sobre os três mundos até então conhecidos. Dois deles tinham regentes e, de 40 em 40 anos, era regra o imperador dos Mundos mudar para o membro mais representativo da família mais poderosa dentre os Três Mundos. Cabe a vós, a nova geração e plenamente dotada, devo dizer, proteger tudo isto. Usem os vossos dons com coragem, Yume, Savillian e Marelle.”
O Sensei parecera tão fantástico… E hoje encontrava-se ali, depois de dois anos, tão jovem como ela se lembrava.
-Muito bem… Cordwell Yume bem-vinda sejas.
Solidão Tripartida
Cap. V
-Então esta não é a tua casa?
Savillian encolheu os ombros.
- O Sensei pagou-me para lhe suceder e vigiar o seu ponto de passagem. E como é simpático, ainda posso pernoitar em sua casa e sou considerado funcionário do estado.
Yume levou as mãos à cabeça, completamente perdida.
-És sempre o mesmo! Seu gabarolas! Atrais-me até aqui para me mostrar os teus progressos e agora encontramos o sensei! Será que ele me vai denunciar ao meu mundo?
-Yume, baka Yume Cordwell! Achas que o nosso sensei, tão único como é, seria capaz de denunciar a mais dotada e bonita das suas estudantes, que ele protegeu com a sua própria vida?
- P…Protegeu? Que queres dizer com prot…
O Sensei entrou na ampla biblioteca com um enorme papiro nas mãos e com o seu cordial e familiar cumprimento, à soldado da marinha, acabou a conversa com um seco “Não”.
- Cordwell-san há coisas que ainda precisas de saber. Vocês dois, sentem-se por favor. Não temos tempo para chás, biscoitos ou outras honras inúteis. Vocês têm 3 horas até a Guarda do Mundo do Poder chegar até aqui. O teu noivo pôs um sensor no cão, que estupidamente deixaste na Rua do Portal. Consegui empatá-los e chegarão pelo meio mais vagaroso que lhes pude arranjar.
Sentaram-se então nos cadeirões de pele que faziam parte da decoração pesada daquele lugar. Uma mesinha redonda no centro dos cadeirões, e uma lareira soberbamente calorosa espalhava um suave cheiro a madressilva. Yume e Savillian não se atreveram a falar. Primeiro, porque sabiam devido à experiência que se interrompessem, o sensei voltar-lhes-ia as costas e abandonava-os sem explicação. Segundo, porque se o sensei estivesse de mau humor não conseguiriam arrancar-lhe qualquer ajuda. Terceiro porque era o seu sensei, e deviam-lhe respeito, fossem seus inferiores ou superiores.
Com o seu tom de voz grave, Kalen- Sama começou a dar-lhes as primeiras novidades.
- O imperador regente morreu à três meses e não conseguiram atribuir uma causa para a sua morte. Não nomeou nenhum regente ou imperador que o sucedesse, deixou os seus projectos a meio e ninguém percebe a razão da sua morte. Ele ainda tinha mais cinco anos de reinado. Por isso o teu irmão, Yume, quer juntar-te ao Klaus e assim obter o poder para governar ambos os mundos; uma rapariga não pode reger: seria o marido quem ocuparia o lugar. Como as tuas capacidades são ainda mais amplas que as do Klaus, o poder passará necessariamente para as mãos do teu irmão. Pela tua fuga presumo que não o desejes e posso ajudar-te a consegui-lo.
Os olhos de Yume brilharam de reconhecimento.
Solidão Tripartida
Cap. VI
- Cordwell- san, o seguinte passo a dar é reunires-te com o terceiro membro da equipa, Marelle. Ora as tropas do teu irmão pensarão que partiste para o terceiro mundo, que era a decisão mais acertada. Mas vamos despitá-los. Partirás para o Norte com Savillian quem dispenso como guardião do Ponto Kalen e esperas no Ponto de Passagem Kris. Ela estará lá para te receber. O importante é que nunca sejas apanhada. Como não há ninguém mais poderoso que a tua família, Yume, não nomearão um imperador antes que renuncies ou aceites o cargo. E para isso tens de quebrar a aliança dos Klaus e Cordwell e fazer o Klaus devolver a última parte da tua flauta, que certamente tiveste de lhe confiar para ficarem noivos.
Yume lentamente baixou a cabeça.
- É verdade sensei. Tive de deixar três chaves da minha flauta pois o meu irmão ameaçou-me de morte se não o fizesse. E o meu suposto noivo guardou-as num cofre blindado, com 20 centímetros de espessura, feito do melhor metal da nossa terra. Só ele o pode abrir. O meu pobre irmão até esfregou as mãos de contente quando me viu finalmente limitada, como acha que as mulheres devem ser.
Savillian ficara horrorizado. Entregar o seu bem mais precioso a um estranho? Sob ameaça?
Sem a sua flauta, Yume só conseguia canalizar 20% do seu poder. Sem 3 chaves não equilibrava as energias, o que quer dizer que utilizar tal magia para se deslocar para aquele mundo fora uma completa irresponsabilidade. Podia ter morrido. Estava explicada a facilidade daquele desmaio após a chegada àquele mundo.
O Sensei calou-se. Ficaram os três em silêncio.
-Sensei. O meu irmão… devo matá-lo?
Savillian olhou espantado para Yume, que nunca tomara atitudes tão drásticas.
-Yume! Quanto mudaste desde aqueles 4 anos? Matar? Estás a falar a sério?
Perante a resposta muda de Yume e do entristecimento e estupefação do Sensei, Savillian nada disse. Apenas acabara de compreender que a sua colega e melhor amiga tinha passado por algo muito grave e profundo que nem o Sensei compreendia.
-Cordwell Yume, Salvatore Savillian! É hora de partirem. Desta vez és tu a deslocar ambos, Savillian. Toma cuidado. Após chegarem até Marelle, sigam para o Portal de Nordeste e refugiem-se no Mundo do Poder.
Yume levantou-se e preparava-se para se ir embora, em silêncio, quando o Sensei lhe pôs a mão no ombro.
-Yume, só quero que saibas… Que, como vais descobrir, tens muitas hipóteses de conseguir canalizar o teu poder sem ajuda de um mediador, ao contrário dos teus companheiros. Não te prendas demasiado à flauta. Embora seja essencial recuperares as três chaves, foca-te mais no futuro destes 90 triliões de vidas que estão a contar contigo.
Savillian, aproximou-se a medo.
-Sensei… Já que não estou mais a cuidar do portal, terei de lhe devolver isto.
E abrindo a mão esquerda, fez aparecer uma chave de madeira com um pi grego incrustado, esculpido sobre numerosos padrões entrelaçados.
O Sensei pousou a sua mão sobre a do seu aluno e obrigou-o a voltar a fechá-la.
-Savillian… Tendo ou não o cargo… Lutaste para conseguir esse pequeno tesouro. É teu por direito e ser-vos-à muito útil. Eu tenho a minha própria chave, posso facilmente encobrir essa.
E agora partam. Marelle sabe perfeitamente como contactar comigo.
***
Quando Yume enlaçou os braços em Savillian, pousando delicadamente a cabeça no seu ombro, este pegando na sua ocarina, utilizou a Melodia Régia subindo dois tons, tocando-a num pianíssimo ténue. Então uma vez mais, Yume deixou-se embalar, fechando os olhos, que marejados tentavam ignorar a discussão interior pela qual Yume passava.
Ao vê-los partir Kalen comoveu-se, deixando finalmente o ar rígido que aparentava e compadeceu-se da rapariga.
" Pobre, mas pobre miúda. Já não bastou o que lhe fizeram em pequena, tinha o irmão agora de a usar em magias proibidas que nem faço ideia do que sejam... Tenho pena dela, mas que posso eu fazer?"
Solidão Tripartida
Cap. VII
A manhã anunciava-se tempestuosa e escuro no Mundo do Poder.
A residência palacial de Dom Cordwell fora assaltada por uma súbita visita, de extrema importância e a qual Saphir não podia de maneira alguma recusar. Mandou a criada de interiores receber a ilustre visita e fazer a recepção na sua mais bem decorada e espaçosa sala. A Sala da Regência daquele palácio, que por acaso era uma das salas oficiais de reunião dos Três Mundos.
A criada, uma cópia fiel de Yume, excepto nas roupas de serviço que trazia, indicou o caminho ao Magnificiente Kalos Klaus, o futuro marido de Yume. Ou pelo menos assim o esperava Saphir.
Nervosamente encarou o recém-chegado Klaus.
Klaus era um sujeito magro, de feições animalescas, cabelo acastanhado curto, olhos pretos. Naquele dia trazia um bigode farfalhudo e uma expressão carrancuda no rosto.
-Onde está a minha noiva? –avançou ameaçadoramente para Saphir.
A criada prontamente respondeu: “ Yume-sama encontra-se temporariamente ausente e não há data prevista para o seu regresso…”
Saphir deitou as mãos à cabeça.
-Criada burra! Que que ainda estás aqui a fazer, baka?Rua, já disse!
Klaus, furioso, afastou o seu manto prateado com a insígnia da mui nobre família dos Klaus e sentou-se cuidadosamente na melhor cadeira, estofada em pele, evitando enrodilhar as suas coullotes ricamente bordadas a prata e a sua túnica com ricos alfinetes em filigrana.
-Porque raio é que as tuas criadas têm todas a cara da minha noiva? O meu cão desapareceu deste mundo e correm os mais estranhos rumores de que a Cordwell fugiu. – cuspiu – O que é feito do nosso acordo, Saphir?
Saphir, colado às costas da cadeira, com tamanho medo respondeu:
-A minha irmã fugiu para o Mundo das Circunstâncias e até agora ninguém sabe do seu paradeiro…
Kalos bateu com o punho na mesa, fazendo entornar o tinteiro e partir um candeeiro.
-O QUÊ? Então é verdade? Sinceramente Saphir, não esperava isto de ti! Seu indigno, seu palhaço! E eu que esperava poder brevemente “experimentar” o gosto à tua irmã!Grrr!
Saphir, desdenhosamente ripostou:
- Só queres as mulheres para isso, não? Então escusas de me confrontar, porque és igual a mim, seu vadio!
Klaus precipitou-se para ele, agarrando-o pelo colarinho. No mesmo momento, uma explosão de energia fez os dois “voarem” para cantos opostos da sala. Saphir caiu sobre um sofá e Kalos foi espalmado contra a parede, batendo com a cabeça no riquíssimo relógio de cuco.
Caiu, levantou-se apressadamente e rosnou.
- Saphir, vais pagar-me um manto novo! Olha para isto! Todo enrugado e descomposto! Que ultraje…!
Saphir levantou-se com dificuldade, agarrado às “costeletas” tossindo.
-Sabes bem que não tive culpa. Esta é a nossa magia ancestral, que repele as duas famílias. Só pode ser anulada com a união de um Cordwell e de um Klaus.
-Graças a ti não vai ser possível!
-Calma, parceiro. Ainda há hipóteses. Embora não concorde com certos preceitos teus, ambos sabemos que ainda tens as 3 chaves da flauta. Sem elas, ela não conseguirá fazer muito…
Klaus coçou o bigode, desesperado.
- Estás a subestimá-la, Saphir! Ela, mesmo que não consiga, tenta e tenta sempre. Mesmo que corra riscos, ou sacrifique a vida, tenta. E não podemos permitir isso. Não te lembras do festival que foi quando ela voltou para casa à dois anos?
-Lembro. Mas se queremos governar e dominar os três mundos temos de a encontrar. Por agora, penso que ela vai tentar chegar ao cão, pois eles estão ligados pelo pré-matrimónio, como bem sabes. E quando o fizer, saberemos onde está.
Kalos, virou as costas a Saphir, preparando-se para partir e despedindo-se com a seguinte frase:
- Saphir, tens mais uma oportunidade. Se falhares… “I’ll kill you”
Solidão Tripartida
Cap. VIII
“Ele”, o abandonado das montanhas, encontrava-se cada vez mais perto “dela”. Atravessara finalmente as montanhas para lá de onde fora injustamente abandonado e encontrava-se a uns 500 metros acima do nível do mar. Foi então que, contrastando com o frio que sentia, sentiu um calor expressivo que lhe subiu às faces e à cabeça e que lhe entorpeceu os enregelados sentidos. “Ela” estava demasiado perto, não podia, não queria ceder… Com uma nova vaga de frio a atravessá-lo, cerrou os dentes e prosseguiu a sua jornada, determinado a vencer. Ela estava em perigo, ele sentia-o como um sentimento próprio, e nem o vento nem os grandes ursos que se lhe atravessavam iriam conseguir Pará-lo. Na verdade, até lhe serviam de refeição…
------
Finalmente Savillian e Yume chegaram ao Norte, ainda abraçados. Savillian rapidamente tomou consciência de que a sua companheira se encontrava inconsciente outra vez. Então, retirou cuidadosamente a capa que o sensei lhe tinha emprestado e deitou-a sobre ela, no meio daquele frio e neve intensos. Ajoelhou-se e procurou sentir, desvanecer a sua existência com o vento. Então conseguiu sentir vida na direcção das montanhas. Com a sua flauta oriental, uma vez mais usou a sua magia para moldar a neve em seu torno, criando uma forte camada circular, mas ao mesmo tempo com boa visibilidade. Pegou então em Yume ao colo e avançou entre a tempestade de neve, agora mais acentuada.
Salvatore Savillian caminhou uma boa milha até chegar ao sopé da montanha. Chegando lá, deixou de sentir o sinal de vida na direcção em que o tinha sentido, para o sentir mais a noroeste. Sentia aquela forma de vida mover-se rapidamente. Contudo não se moveu; naquela protecção gelada estavam a salvo, tanto de tempestades como de animais ferozes. Mas o sinal daquela vida era demasiado amplo para ser de um animal. Procurou escutar, ouvir, compreender. Sim, não havia dúvidas. Ela estava aqui.
Um leve som de harmónica conseguiu perfurar a protecção. Então, sacudindo neve do seu casaco, uma jovem vestida com um grosso casaco de peles, da mesma idade de Yume entrou na protecção fazendo Savillian soltar um suspiro de alívio.
- Marrelle! Até que enfim!
Sorrindo com ar sedutor Vanerisse Marrelle, usando as suas ilustres e compridas pestanas, empestadas de rímel, tocou de leve nas bochechas de Savillian. Com os seus cheios lábios escarlate, beijou-lhe a testa e fez o pobre ficar embaraçadíssimo.
-Marelle… Pára com isso. Vamos para outro lugar!
A loira suspirou e uma vez mais tocou a sua harmónica, fazendo a protecção de neve estilhaçar-se e abrir-lhes caminho para uma casinha de madeira que Savillian não tinha visto. Silenciosamente seguiram até à casinha, que afinal não era assim tão “casinha” mas sim um palacete de dois andares e com um terraço atrás abrigado da neve.
Savillian soltou um assobio baixo. Era quase tão grande como a casa do mestre, se bem que num estilo diferente, toda ao estilo rural do norte.
Entraram. Marelle prontamente indicou um sofá junto à lareira onde Savillian pousou Yume. Encontrava-se num sono descansado e feliz, como se finalmente se sentisse bem por estar junto das pessoas que lhe davam atenção.
Marelle despiu o seu casaco de peles, revelando um corpo bem feito, perdido no meio de uns muitíssimos curtos calções, os quais permitiam que um leve manto translúcido descaísse da cintura, e de um top super justo, de onde múltiplas tatuagens se destacavam, fazendo Savillian pensar qual o exacto sítio onde Marelle tinha a sua insígnia das Circunstâncias e corar, só de visualizar.
Marelle sentou-se ao lado da cabeça de Yume, apoiada nos seus altíssimos saltos agulha e finalmente perguntou a Savillian:
- Então, quero saber exactamente o que estás a fazer aqui com a Yume e qual é a vossa situação. Fala: temos a noite toda...
Solidão Tripartida
Cap.IX
Yume finalmente despertou, incomodada e intrigada com o forte perfume que tão estranhamente familiar a rodeava. Estava coberta com uma espessa manta de pêlo de urso. Sentou-se e tomou consciência de que por qualquer razão adormecera num sofá, numa sala circular ligeiramente quente, com uma lareira imediatamente à frente, iluminada por um delicioso fogo; cabeças de veado lúgubres nas paredes e peles de urso e jaguar no chão.
Ao seu lado, numa das fofas poltronas estofadas em pele carmin reconheceu o pobre Savillian, que dormira comprimido com a cabeça à banda, enterrada numa enorme almofada. Ressonava a sono solto com a boca ligeiramente aberta, mas mantendo sempre a mesma beleza presente na sua face maravilhosamente esculpida na qual se destacavam uns lábios firmes e a espessa cabeleira, a sobressair de trás, com a sua comprida trança. A sua enorme musculatura e a tatuagem no pescoço tornavam-no ainda mais peculiar. Contudo, Yume sabia que depois de camadas de aparência tão irregular se encontrava um coração no qual se podia abrigar, sempre que tinha problemas.
Às vezes Yume lamentava não se ter aproximado mais de Savillian, que a sua relação não fosse de amizade e sim de algo mais. Apesar de estar noiva (contra a sua vontade, mas isso é inegável…) preferia antes casar com Savillian ou alguém que pelo menos fosse um amigo do que com aquela abécula rica e arrogante chamada Kalos Klaus.
Perdida nestes pensamentos nem ouviu Marelle aproximar-se.
-Yume nee - chan! Daijobu? (Está tudo bem?) – gritou de trás do sofá.
Yume deu um pulo, assustada com a visão das grandes pestanas de Marelle, pintadas com um rímel muito viscoso. Depois riu-se de Marelle e de si mesma, por não ter reconhecido os modos estonteantes da amiga.
Levantou-se e Marelle abraçou-a de forma fraternal, fazendo Yume lembrar-se dos tempos em que ambas estudavam juntas. Yume certinha e brincalhona, Marelle sádica por saldos, maquilhagens e sapatos. Ah, e por magia, claro.
-Mar, ainda me custa a acreditar que aqui estás!
- Yume, tinha tantas saudades…<3 Ai que desperdício! 4 anos deitados fora quando podias ter dado a volta ao mundo, apanhado os melhores descontos e aumentar consideravelmente os teus níveis de poder! – enquanto falava, balançava-se toda à estilo de criança e com as mãos de Yume entre as suas disse, aos guinchos: - Vais ter de me contar tudo! T-U-D-O!
O Sav contou-me mais ou menos o que se passou contigo enquanto estiveste inconsciente. Esse teu irmão deve ser uma besta! Mas conta, conta: que fizeste nestes quatro anos!?
A outra, como que silenciada por um tijolo ficou apreensiva, com uma expressão contrariada e taciturna.
-…Desculpa, minha irmã… Mas eu não me lembro de nada do que fiz nestes 4 anos, à excepção de que me querem casar e que o meu irmão é hoje o regente da família e do meu mundo.
A loira deixou descair a expressão feliz e supérfula para a sua mais recente versão calculista, grave e de possuidora de grandes dotes mágicos.
- Não pode ser… Tu não te ias esquecer de quatro anos assim tão facilmente e ninguém é capaz de alterar ou ocultar as memórias de um membro da linha de regência. Tenta lembrar-te nee - san.
Savillian mexeu-se no sofá e finalmente acordou. Esfregou os olhos, num gesto quase infantil e muito conhecido das duas mulheres. Ao reparar nos olhares amorosos que as duas lhe deitavam corou e finalmente falou:
- Agrrhhh ( estica os braços)! O que é que perdi?
Marelle puxou levemente por Yume e ambas se sentaram no sofá onde Yume dormira, perto de Savillian. Mar invocou o seu serviço de chávenas automáticas, entregando uma a cada um e tirando uma para si. (Chávenas que, uma vez na mão da pessoa que se vai servir, se enchem automaticamente com a bebida desejada e que se limpam automaticamente após o uso).
Todos fizeram os seus pedidos, que constavam todos de um magnífico chocolate quente com natas e finalmente Marelle começou a explicar a situação.
- Yume não se lembra de nada do que fez ou do que viveu nestes quatro anos de separação. Isso é algo grave e precisa de ser estudado, mas aqui não é o melhor local para o fazer e temos coisas de maior prioridade agora. Falei ontem com o Sensei, enquanto ambos dormiam e ele recomendou que mudássemos de mundo, pois voltaram as atenções para o Norte, pois já descobriram que não te encontras nem no Poder nem na Vida, nem ao pé do Sensei. Este encontra-se sobre alguma vigilância, mas nada a recear porque são tipos com habilidades muito iniciantes de magia.
Começaram a traçar planos. Savillian ofereceu-se para descobrir e guiar o grupo com o seu estatuto de guardião entre os mundos, Marelle ofereceu-se para providenciar os mantos e a segurança de Yume e Yume…
-Eu sou sempre o estorvo, não é? Bolas, sinto-me tão mal por terem sempre de fazer tudo por mim… Eu também sei usar os meus dotes, não é justo que sejam vocês que se tenham de sacrificar sempre por mim…
Sav e Mar voltaram-se ambos para Yume.
-BAKA!!!!!!! Se és tu que o teu irmão quer, guarda as tuas energias para a melhor ocasião. Além de que sem as tuas chaves da flauta, fazeres magia e mesmo estares próxima de nós já é um grande risco… Já viste o que te aconteceu: literalmente perdeste os sentidos mais que uma vez sem dares conta. E se morreres, quem poderá mais deter o teu irmão? BAKA!
Yume, estática e em choque finalmente falou.
-Está bem. De qualquer maneira, prometam-me pela nossa amizade que se alguma vez estiverem em risco por minha causa… Afastem-se e deixem-me lutar. Eu ainda sou uma Cordwell.
Solidão Tripartida
Cap.X
Savillian avançava penosamente pelos cumes nevados, seguido de perto por Yume e Marelle. Os três vestiam casacos de espessas pelas de urso e levavam os seus instrumentos a tiracolo, para o caso de algo correr mal. O ponto de passagem mais próximo e também o menos usado encontrava-se algures no meio da montanha. Savillian rodava incessantemente a sua chave nas mãos, à procura de um sinal, de um vestígio que lhes indicasse onde exactamente a passagem se encontrava. Yume tremelitava de frio e Marelle, muito à vontade, quase despia o seu grosso casaco de peles para ficar em trajes menores, pois estava farta de se queixar de que tinha calor; Savillian mandou-a calar e guiou-as por entre as montanhas até chegarem a uma clareira pouco evidente, onde se encontrava apenas um grande pedregulho sinistro. O guardião da chave suspirou e olhou para as moças:
- É aqui. Yume, Mar, criem uma corrente fechada comigo.
E ambas se encostaram a Sav agarrando cada uma um ombro. Savillian de algum modo encaixou a chave dourada na sua ocarina e começou a tocar a Melodia Régia, ao seu próprio estilo. Mas antes da força da melodia chegar e preencher a chave ouviram um uivo. Yume reconheceu-o logo e , sendo atraída por ele, quebrou o contacto. Correu para o cão, sem sequer pensar no que estava a fazer. Marelle, ao aperceber-se, deu um safanão a Savillian, quebrando-lhe a concentração e fazendo com que este parasse de tocar; de seguida correu atrás de Yume. Antes de a conseguir alcançar, umas mãos fortes e rudes agarraram-na pela cintura enquanto outras lhe atavam as mãos. O seu corpo foi rebuscado até a harmónica lhe ser retirada e quando sentiu o toque de outros no seu bem mais precioso, a harmónica, desfaleceu e caiu por Terra. Savillian encontrava-se um pouco melhor já que ninguém podia tocar na chave dourada senão ele e por conseguinte, roubar-lhe a ocarina. Com o seu poder aumentado ainda pela chave, Savillian ignorou o princípio que rege todos os guardiões de chaves, segundo o qual só se deve usar os atributos da chave para a passagem entre mundos, e criou lanças de neve, atirando-as aos invasores enquanto corria atrás de Yume. Finalmente conseguiram atar-lhe os pés e caiu redondo no chão. Então, percebeu quem eram. Eles, a famosa guarda do Poder cujo líder era o irmão de Yume, tinham-nos apanhado no meio de tantos erros de segurança que o grupo decidira ignorar.
Com a cara à boneco de neve, Sav procurou sacudir o gelo e procurar por Yume; acabou por a encontrar um pouco fora do seu campo de visão. A custo, conseguiu verificar que se encontrava numa felicidade ilosória com o cão de Klaus ao lado. Ninguém a amarrara pois todos sabiam o efeito que o dote do noivo poderia ter na noiva.
Um fulano barbudo e musculado aproximou-se dela todo contente.
-Vêem, soldados? A guerra está ganha!
E eu pesquei o maior peixe… Esta gaja vai valer-me fortunas e a admiração de Klaus! É assim que um chefe actua! AHAHAHAHAHA!!!
O Soldado mais próximo de Sav.
- Chefe, apanhei outro peixe: veja ainda está consciente!
O barbudo musculado aproximou-se de Sav, pisando-lhe a ponta dos dedos enquanto falava.
- Julgas-te muito esperto, oh meia leca? Seu desgraçado, quem tu pensas que és para usar uma passagem?
Sav a custo respondeu:
- Sou o filho do antigo imperador e guardião dos portais. Não chega, seu babuíno?
O barbudo acabara de levar um tijolo, mas rapidamente se recompôs.
- Ah! Tu, ó infame traidor! Seu pestilento, ladrão, filho indigno! Se não fosses tu, o imperador estaria vivo a esta hora!
Sav sentou-se o melhor que pode, não largando a ocarina.
(Para os homens, qualquer confronto deve ser igualmente justo, logo deveriam estar os dois de pé, mas Sav tinha os pés amarrados…)
- Como DISSE? O MEU PAI FOI ASSASSINADO! DISSO TENHO A CERTEZA, E TENHO A CERTEZA DE QUE NÃO ESTAVA COM ELE QUANDO DESAPARECEU!!!
O barbudo espetou-lhe um murro sem aviso prévio, fazendo-o cuspir sangue.
- Seu imundo! O regente Cordwell contou-me tudo! TUDO! Assassino! Se puder decapito-te já aqui!Verme!
Nesse instante, Sav puxou da chave e usou-a para rasgar um bom pedaço de perna ao barbudo. Cortou as cortas e correu em direcção a Yume, sendo de imediato atingido nas costas por uma lança de neve, que felizmente, devido à inexperiência do atirador em manipular magia em climas frios, não ganhou a consistência, dureza e ângulo suficiente para ferir quem quer que fosse.
Sav apesar disso caiu e foi de imediato rodeado por barbudo, vindo o chefe a coxear furioso na sua direcção, deixando atrás de si um rasto de sangue.
- Seu ranhoso! Filho da p****, como te atreves?
Vais pagá – las, ó músico tocador de campainhas! Já que gostas tanto de tocar… Não vais fazê-lo nunca mais!
E espetou a sua espada numa das mãos de Sav, trespassando-lha e fazendo-o começar a perder a consciência, de tanta dor que sentia.
- Yume… Nee-chan… - começou a lamentar-se, não evitando algumas lágrimas de desespero. Afinal, falhara e Yume seria obrigada a casar com o Klaus e a ser uma espécie de escrava para ele. Começou a ficar tudo escuro… Sentiu-se a afundar, a cair indefinidamente…
Então, antes de se deixar levar conseguiu sentir mais que ver uma sombra a passar rapidamente por ele.
Solidão Tripartida
E agora, caros users... Uma surpresa final. Tomei a liberdade de associar o meu péssimo jeito para desenho, uma pitada de design e... aqui têm as primeiras páginas info de personagens ^^ Enjoy!
Spoiler:
Spoiler:
by Fuuton!hann
(Modificado pela última vez: 20-03-2010 02:18 AM por Fuu.)
Desculpa prince, não temos culpa que não percebas.
Em relação á história está muito bem desenvolvida até o próprio vocabulário que está bem estruturado.
Quero ver mais (:
(Modificado pela última vez: 24-12-2009 12:59 AM por Isa.)
De repente, ao observar a forma como o cão se comportava, de uma liberdade e desenvoltura extremas (até para um cão…) seguiu o próximo passo que o instinto lhe ditava. Se era preciso fugir e se não queria magoar ninguém fugiria por um dos pontos de passagem entre os Mundos, um daqueles conhecidos apenas por alunos do Mestre Kalen, especialista em magia de fogo. Contudo, levaria o cão consigo. Já estava demasiado só para se poder dar ao luxo de desprezar um pobre canino sem culpa nenhuma.
E para que mundo iria?
Pelos conhecimentos da época, apenas eram conhecidos três mundos: O Mundo da Vida, O Mundo do Poder e o Mundo das Circuntâncias.
“Eu conheço todos eles… Não haverá problemas e arranjarei forma de por uns tempos este mundo não ter notícias minhas.”
Por sorte ou por ironia do destino, o ponto de passagem Kalen ficava a pouco tempo dali.
Percorreu então o caminho, preparando-se mental e fisicamente para os ambientes que iria encontrar. Não encontrou ninguém pelo arenoso caminho, nem o cão tentou fugir. Também ele parecia querer escapar dos preceitos ambiciosos do seu dono.
Chegados ao local, um simples arvoredo próximo ao mar, ela ajoelhou-se acariciando a Terra, sentindo o cheiro a maresia e a pinho. Então pegou numa pequena flauta esculpida a madeira de pinho, e tocou determinada nota fazendo a frequência do ambiente alinhar-se com a frequência inversa do mesmo, tocada pela flauta. Fechou os olhos, concentrou todo o seu poder e repentinamente mudou a frequência para a do conhecido Mundo das Circunstâncias.
Solidão Tripartida
Próximo Capítulo: O Mundo das Circunstâncias
(Modificado pela última vez: 28-12-2009 01:45 AM por Fuu.)
Quando ela abriu os olhos, encontrava-se no meio de uma rua muito movimentada, repleta das mais variadas lojas.
“Sempre o mesmo…”
Viajar daquela maneira, trazia sempre algumas desvantagens. Uma delas era nunca ter a mínima ideia do ponto do mundo onde era deixada. Observou cautelosamente a rua, não viessem guardas no seu encalço e reconheceu o estranho monumento de ouro que se erguia na praça ao fundo da rua: O Rei da Polpa de Maçã…
…E então alguém lhe tocou amigavelmente no ombro: ela deu um pulo assustada e cambaleou; e sem qualquer apoio bateu no chão de calçada de xisto frio e sentiu o mundo a escurecer.
Quando acordou, encontrou-se num colchão altamente confortável, circular e no meio de um jardim deserto. Apenas uma pessoa se encontrava ali perto.
Vigoroso, musculado e com a insígnia das Circunstâncias gravada no pescoço, foi com facilidade que reconheceu um dos seus velhos companheiros das Aulas.
- Yume, serás mesmo tu? – Perguntou-lhe de costas viradas.
Atordoada, ela retorquiu:
- Savillian…Nunca imaginei encontrar-te aqui…
Então, finalmente o rapaz virou-se e Yume pode finalmente ver-lhe a cara. Encontrava-se coberta por pequenos pêlos e com várias borbulhas a nascer…Mas os olhos de um dourado forte continuavam tão vivos como sempre, como o tempo em que ambos tinham partilhado a mesma vida.
Savillian sentou-se no colchão, entusiasmado.
-Mas Yume, porque estás aqui? Que idade tens agora? Quando te conheci tinhas apenas 15 anos…
Por sua vez Yume sentou-se, pegou na flauta, deu um toque no colchão e este transformou-se num banco de jardim, muito mais apropriado para o local.
- Sim. Há quatro anos que não te vejo. E fugi porque descobri toda a verdade sobre o meu mundo e sobre a minha família. Querem casar-me com um tipo que não conheço de lado nenhum e que apenas quer consumir o meu poder. Então fugi para este mundo, usando a Melodia Régia.
-Descobriste a verdade?Como?
Suspirando, contou-lhe os seus longos e penosos tempos depois daquelas boas aulas.
“Depois de dominar os meus dons, fui mandada de volta para casa. Foi então que descobri que o meu irmão assenhorou-se de tudo quanto era meu por direito, já que sou a filha legítima. Os meus pais desapareceram e o meu irmão forjou uma aliança para que o Poder dos Klaus e dos Cordwell seja unido para futuramente dominar todos os três mundos.
E agora fugi. Não desejo uma ditadura para o meu mundo e não desejo ser a causadora da destruição e contenção destas três naturezas.
Bem, já sabes a minha história. Não há muito mais para contar.
Entretanto, agora conta-me: O que estás tu a fazer tão longe da tua terra natal?"
Solidão Tripartida
Desculpem a demora...!Mas estive sem net -.-
Próximo Capítulo Muito Brevemente! Opinem
(Modificado pela última vez: 07-01-2010 10:37 PM por Fuu.)
(08-01-2010 12:38 AM)celtic Escreveu: Apesar de não ser um tipo de história que goste de ler, está boa (a nível de gramática, composição, etc).
Continua ;D
Já nem preciso de escrever ! É mesmo isto.. Nao é o meu genero.. Mas escreves com qualidade a cima da média !!
“Eu”?
Bem, acabei as aulas com o Mestre e vim em busca de trabalho. Sabes que a minha família é pobre, e eu sou o único estudado e capaz de usar magia. Por isso um tipo contratou-me para vigiar uma passagem entre os mundos, como tantos outros o fazem. E aqui estou.”
Savillian convidou-a a pernoitar em sua casa. A noite adivinhava-se turbulenta, caso os guardas viessem em busca de Yume.
Pararam diante de uma grande casa, ladeada de jardins com árvores muito bem escolhidas. A casa era em tons de castanho e assemelhava-se à de um pastor, não fosse pelo seu tamanho em exageradas proporções.
Yume ficou boquiaberta, olhando para tudo aquilo. A última vez que ali viera a casa estava mais para palheiro e três tijolos.
Entraram num grande salão decorado a madeira pau rosa e candelabros de cristal.
“Pobre…” “Pobre, Como é possível que se ache pobre, depois de tudo isto?”
Yume arrepiou-se e reconheceu a familiar sensação de respeito. Ao cimo da enorme escadaria de madeira, encontrava-se um homem alto, pensativo e de traços muito bem definidos. Cabelo preto, entrançado, roupa muito formal excepto pelo cinto que trazia, feito de um ramo de cerejeira…
-Sensei!
O Homem sobressaltou-se, saindo da sua letargia.Olhando fixamente para Yume, não queria acreditar naquilo que via.
Momentos a sós, suspense, ninguém falou. Yume recordou-se da primeira lição que lhes havia dado, e do quando se interessara pelo assunto.
“Desde as mais profundas e tradicionais raízes daquele mundo que todas as nobres famílias eram treinadas para adquirir poder de forma a manterem o controlo total sobre os três mundos até então conhecidos. Dois deles tinham regentes e, de 40 em 40 anos, era regra o imperador dos Mundos mudar para o membro mais representativo da família mais poderosa dentre os Três Mundos. Cabe a vós, a nova geração e plenamente dotada, devo dizer, proteger tudo isto. Usem os vossos dons com coragem, Yume, Savillian e Marelle.”
O Sensei parecera tão fantástico… E hoje encontrava-se ali, depois de dois anos, tão jovem como ela se lembrava.
-Muito bem… Cordwell Yume bem-vinda sejas.
Solidão Tripartida
Novo capítulo, espero que gostem!
(Modificado pela última vez: 09-01-2010 01:47 AM por Fuu.)
uaau tá mesmo mt boa.. nem sei por onde pegar para fazer as minhas apreciações xD gostei mt...e é uma daquelas histórias viciantes onde queres sempre ler mais um bocado xD
“Eu”?
Bem, acabei as aulas com o Mestre e vim em busca de trabalho. Sabes que a minha família é pobre, e eu sou o único estudado e capaz de usar magia. Por isso um tipo contratou-me para vigiar uma passagem entre os mundos, como tantos outros o fazem. E aqui estou.”
Savillian convidou-a a pernoitar em sua casa. A noite adivinhava-se turbulenta, caso os guardas viessem em busca de Yume.
Pararam diante de uma grande casa, ladeada de jardins com árvores muito bem escolhidas. A casa era em tons de castanho e assemelhava-se à de um pastor, não fosse pelo seu tamanho em exageradas proporções.
Yume ficou boquiaberta, olhando para tudo aquilo. A última vez que ali viera a casa estava mais para palheiro e três tijolos.
Entraram num grande salão decorado a madeira pau rosa e candelabros de cristal.
“Pobre…” “Pobre, Como é possível que se ache pobre, depois de tudo isto?”
Yume arrepiou-se e reconheceu a familiar sensação de respeito. Ao cimo da enorme escadaria de madeira, encontrava-se um homem alto, pensativo e de traços muito bem definidos. Cabelo preto, entrançado, roupa muito formal excepto pelo cinto que trazia, feito de um ramo de cerejeira…
-Sensei!
O Homem sobressaltou-se, saindo da sua letargia.Olhando fixamente para Yume, não queria acreditar naquilo que via.
Momentos a sós, suspense, ninguém falou. Yume recordou-se da primeira lição que lhes havia dado, e do quando se interessara pelo assunto.
“Desde as mais profundas e tradicionais raízes daquele mundo que todas as nobres famílias eram treinadas para adquirir poder de forma a manterem o controlo total sobre os três mundos até então conhecidos. Dois deles tinham regentes e, de 40 em 40 anos, era regra o imperador dos Mundos mudar para o membro mais representativo da família mais poderosa dentre os Três Mundos. Cabe a vós, a nova geração e plenamente dotada, devo dizer, proteger tudo isto. Usem os vossos dons com coragem, Yume, Savillian e Marelle.”
O Sensei parecera tão fantástico… E hoje encontrava-se ali, depois de dois anos, tão jovem como ela se lembrava.
-Muito bem… Cordwell Yume bem-vinda sejas.
Solidão Tripartida
Novo capítulo, espero que gostem!
Gosto tanto dos outros capítulos, tanto como este.
Mas acho que fazes demasiadas pausas com ".." , apesar de estar bem escrito com a gramática toda em dia, o que admiro muito a tua escrita.
Acho que tens muito talento, e o papel de Redactor do Blog está muito bem entregue.
Mas, já vi que, há ai fan pic's bem mais simples de reformular ideias, neste cap. tal como os outros, é extremamente dificil de reformular as minhas ideias, pois todas "elas" tão um pouco juntas umas com as outras, isso demonstra que tens talento para a escrita :')
Off-topic - Vais ser uma forte rival para a "Escritor do Clã" :$
(Modificado pela última vez: 14-01-2010 09:51 PM por Soulmates.)